RAINHA

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

MEDITAÇÃO: A VIRTUDE DA JUSTIÇA

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“A justiça é a virtude moral que consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. A justiça para com Deus chama-se “virtude de religião”. Para com os homens, ela nos dispõe a respeitar os direitos de cada um e a estabelecer nas relações humanas a harmonia que promove a equidade em prol das pessoas e do bem comum. O homem justo, muitas vezes mencionado nas Escrituras, distingue-se pela correção habitual de seus pensamentos e pela retidão de sua conduta para com o próximo. “Não favoreças o pobre, nem prestigies o poderoso. Julga o próximo conforme a justiça” (Lv 19,15). “Senhores, dai aos vossos servos o justo e equitativo, sabendo que vós tendes um Senhor no céu” (Cl 4,1).”

 “Um valor inestimável para a vida em sociedade é o da virtude da justiça. O cultivo constante desta virtude, que se adquire individualmente, evita muitos males sociais. Ninguém é virtuoso por mim, mas comigo; portanto, ninguém é justo por mim, mas comigo. A virtude é algo de conquista pessoal e só é transmitida quando ensinada pelo bom exemplo, pois não basta proferir sua definição ou simplesmente ter a boa intenção para adquiri-la. É preciso ter a consciência da necessidade de sua aquisição seja ante o testemunho de um bom exemplo ou mesmo ante o testemunho de atos ou fatos que promovam o desencanto, a insatisfação, a tristeza. Por isso, o bom exemplo e a constância na busca de conquistá-la e aperfeiçoá-la, devem ser a razão primeira dos que se entristecem ante tantas injustiças. Ninguém é justo por haver atuado uma única vez de modo justo, pois a justiça é uma virtude e, como veremos, toda virtude é um hábito, uma repetição constante do mesmo ato.  Do mesmo modo, ninguém é injusto por haver atuado uma única vez de modo injusto. Seja para o vício, seja para a virtude é necessário o hábito. Sempre há tempo para conquistar uma virtude, mesmo sabendo-se que quanto mais tarde mais difícil será. Em qualquer caso cabe ressaltar que inscritos na natureza do homem estão os princípios que nos orientam para evitar o mal e fazer o bem.

Mas o que é justiça? Por justiça entende-se o hábito pelo qual com vontade constante e perpétua se dá a cada um o seu direito , a cada um o que é seu e não reivindica o que é alheio, mas negligencia sua própria utilidade, para salvaguardar a equidade comum. A justiça, que é um hábito, é sempre relativa a outrem, pois é a regra, a norma que mantém entre os homens a sociedade e a comunidade de vida . E dado que o nome justiça implica igualdade, ela exige alteridade, diversidade de pessoas, por isso, em seu conceito mesmo, a justiça comporta relação com outrem . A justiça é virtude, pois como a virtude, a justiça torna bom o ato humano e retifica as ações humanas. A justiça tem a sua sede na vontade, porque é retidão da vontade e ninguém é chamado justo pelo conhecimento que tem e que é dado pela razão, mas pela retidão da ação, que emana da vontade . O bem de cada virtude, que se supõe na relação com outrem, se encontra na justiça, de tal maneira que os atos de todas as demais virtudes podem pertencer à justiça. 
Neste sentido, a justiça é uma virtude geral  e tem preeminência sobre todas as virtudes morais, seja porque tem a sua sede na vontade, ou porque as outras virtudes morais são exaltadas somente pelo bem que realizam no homem virtuoso, ao passo que a justiça é enaltecida pelo bem que o homem virtuoso realiza em suas relações com outrem . Mas nem por isso a justiça identifica-se com toda virtude, pois uma pode existir sem a outra, como quando alguém é virtuoso em sua vida particular, mas não nas relações com outrem ). A justiça é virtude que dispõe a relação com outrem. A palavra outrem pode significar muitas pessoas ou uma. Diz-se justiça legal a que se aplica a muitos e justiça particular a que se aplica nas relações particulares , cuja matéria são as ações e as coisas exteriores  e não as paixões . O meio-termo da justiça consiste em certa igualdade de proporção da realidade exterior com a pessoa exterior como, por exemplo, é justo dar ao rei o que é majestoso.
É próprio da justiça, entre todas as demais virtudes, ordenar o homem nas coisas que se relacionam a outro. A justiça, como o próprio nome denota, importa numa certa equalidade, já que vulgarmente dizemos ajustar as coisas que entre si adequamos; ora, toda equalidade é dita em relação a outro . À justiça pertence, pois, dar a cada um o que é de seu direito. 

 Por causa disto a justiça difere das demais virtudes na medida em que outras virtudes como a fortaleza e a temperança aperfeiçoam o homem nas coisas que lhe convém segundo si mesmo; o que é reto nas obras da fortaleza e da temperança é tomado por comparação ao agente, segundo que a obra da virtude seja feita de uma certa maneira por este agente. Mas na obra da justiça o reto é constituído por comparação a outro, independentemente de sua comparação para com o agente. 

 O sujeito da virtude da justiça é a vontade, porque somos ditos justos por agirmos retamente em algo. Ora, os princípios próximos das ações são as forças apetitivas; existem, porém, dois apetites, isto é, a vontade, que está na razão, e o apetite sensível, que se segue à apreensão dos sentidos. Pertence, porém, à justiça, dar a cada um o que é de seu direito; dar a cada um o que é de seu direito, entretanto, não pode provir do apetite sensível, porque a apreensão sensível não se pode estender à consideração da proporção de uma coisa a outra, o que é próprio da razão. Daqui deve-se inferir que a justiça não pode estar no irascível ou no concupiscível como em seu sujeito, mas somente na vontade. 

 Há três diferenças entre a justiça e as demais virtudes morais como a fortaleza e a temperança. A primeira é que a fortaleza e a temperança são acerca das paixões, enquanto que a justiça é acerca das operações; na fortaleza e temperança se considera principalmente como o homem é interiormente disposto segundo as paixões, enquanto que aquilo que exteriormente opera não é considerado senão como algo conseqüente, na medida em que as operações exteriores provém das paixões interiores; na justiça, entretanto, leva-se principalmente em consideração aquilo que o homem exteriormente opera, enquanto que como ele está interiormente disposto não é considerado senão por conseqüência, na medida em que alguém é ajudado ou impedido pelas suas disposições interiores acerca das operações. De fato, segundo as paixões interiores, que são moderadas pela fortaleza e temperança, considera-se a retificação do homem em si mesmo; pelas ações exteriores e pelas coisas exteriores, que os homens podem comunicar entre si, é tomada a ordenação de um homem a outro. Portanto, como a justiça se ordena ao outro, não será acerca de toda a matéria da virtude moral, mas apenas acerca das ações e coisas exteriores segundo a razão especial de seu objeto, isto é, na medida em que segundo elas o homem se ordena a outro. 

 A segunda diferença entre a justiça e as demais virtudes morais como a fortaleza e a temperança é que na fortaleza e temperança o termo médio da virtude é determinado pela razão em relação a nós; já na justiça o termo médio é tomado em relação à coisa. De fato, as outras virtudes morais além da justiça são principalmente acerca das paixões, cuja retificação é tomada em relação ao próprio homem de quem são estas paixões, na medida em que este homem se ira ou cobiça do modo devido segundo as diversas circunstâncias; portanto, o termo médio de tais virtudes não é tomado segundo a proporção de uma coisa a outra, mas somente por comparação ao próprio virtuoso. Já a matéria da justiça é a operação exterior, segundo a qual a operação ou a coisa da qual nós fazemos uso possui uma devida proporção a uma outra pessoa; por isso o termo médio da justiça consiste em uma certa proporção da coisa exterior à pessoa exterior, de onde que a razão determinará o termo médio da justiça na coisa, e não em relação a nós . 

 A terceira diferença entre a justiça e as demais virtudes morais está em que a justiça, ao contrário das demais virtudes, que são um termo médio entre duas malícias, é um termo médio mas não entre dois vícios opostos. A justiça é um termo médio entre fazer o injusto e padecer o injusto; fazer o injusto é ter mais do que é devido enquanto que padecer o injusto é ter menos do que a si é devido por ser disto privado por alguém; o ato da justiça é fazer o igual, que é o termo médio entre o mais e o menos. Ora, fazer o injusto pertence à malícia, que é a injustiça, mas padecer o injusto não pertence a nenhuma malícia, sendo mais uma pena sofrida do que uma malícia. 

Cabe à virtude da justiça não somente produzir as ações justas, pelas quais nos ordenamos retamente aos outros, mas também proferir julgamentos corretos.

 No seu uso mais comum, a palavra julgamento significa a correta determinação de qualquer coisa, tanto no que é especulativo como no que é prático; entretanto, segundo seu primeiro significado, julgamento significa a correta determinação do justo. Tomado neste sentido, o julgamento é um ato da virtude da justiça , porque definir algo corretamente em qualquer obra da virtude é coisa que procede do próprio hábito da virtude; assim como o casto é quem determina corretamente aquilo que pertence à castidade, assim também o julgamento, que importa na correta determinação do que é justo, é algo que pertence propriamente à virtude da justiça. Na medida em que o julgamento é um ato da razão prática, é um ato da prudência; mas na medida em que para proferir este julgamento é necessário possuir a idoneidade que predispõe ao julgamento correto, o julgamento é ato da virtude da justiça. 

 
 Na verdade, a justiça tem lugar de preeminência entre todas as virtudes morais, não apenas por parte do sujeito, porque está numa parte mais nobre da alma, isto é, no apetite racional, ou seja, na vontade, enquanto que as demais virtudes morais estão no apetite sensível, ao qual pertencem as paixões, matéria das demais virtudes morais; mas também por parte do objeto, porque as outras virtudes são louvadas segundo o bem próprio do virtuoso, enquanto que a justiça é louvada na medida em que o virtuoso se encontra bem para com o outro: de fato, a justiça, de certa forma, é o bem do outro . Apesar da fortaleza dizer respeito a coisas mais difíceis do que a justiça, isto é, acerca dos perigos de morte, a fortaleza não é mais nobre do que a justiça, porque embora ela seja acerca de coisas mais difíceis, a justiça diz respeito a coisas melhores, sendo útil na paz e na guerra, enquanto que a fortaleza é útil apenas na guerra

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