RAINHA

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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

AS APARIÇOES DE NOSSA SENHORA EM PELLEVOISIN FRANÇA

A vidente

Estela Faguette nasce em 12 de Setembro de 1839. É ela que, aos 11 anos, na aldeia onde nasceu, leva o pendão de Nossa Senhora na procissão que festeja a proclamação do Dogma da Imaculada conceição, proclamado por Pio X em 8 de Dezembro de 1854. Ninguém imagina que, 22 anos depois, será ela que irá ser encarregada de proclamar as glórias de Maria no mundo inteiro.

Quando Estela tem 14 anos, o pai, devido aos negócios que correm mal, está na miséria. A família desloca-se para Paris e é Estela quem tem de ajudar materialmente o pai. Frequenta as Irmãs de S. Vicente de Paulo e a sua devoção a Maria é já bem visível. Aos 17 anos, entra para a congregação das irmãs Agostinhas de Hôtel-Dieu onde permanece três anos, dedicando-se aos mais necessitados. Ao fim deste tempo, tem de deixar a vida religiosa para de novo vir em auxílio dos pais. Vai servir para casa da família De La Rochefoucauld. A condessa encontra nela todas as qualidades para lhe entregar todo o tipo de responsabilidades.

Os condes, na estação quente, deixam Paris e vão instalar-se na sua casa de verão a três quilómetros de Pellevoisin, pequena aldeia dos arredores de Châteauroux.

 

15 aparições da Virgem a Estelle Faguette, em 1876

 

Primeira aparição

14 de Fevereiro de 1876: Aparição do demónio e, depois, da Virgem.

Desde há meses que Estela luta contra um grave tuberculose, rodeada de afeição e de bons cuidados. Está grata à condessa "a quem devo um pouco da minha resignação." Ela que dizia tantas vezes: "Minha pobre Estela, para sofrer assim tanto tempo, mais valia que Deus vos levasse, porque tudo leva a crer que nunca vos haveis de curar".

O sacramento da Extrema Unção dá-lhe uma serenidade total: "Nesse dia fiquei mais calma e disse muitas vezes: meu Deus, vós sabeis melhor que eu o que me é preciso, fazei o que vos agradar, apenas concedei que eu faça o meu sacrifício generosamente".

Aparição de Satanás

Na noite de 14 de Fevereiro de 1876, está esgotada. É perto da meia-noite. Uma personagem sinistra "de noite à procura da caça", apresenta-se junto da cama da moribunda; quer aproveitar-se do seu extremo cansaço.

Ela mesma conta: "De repente, o diabo apareceu ao pé da minha cama. Ó! Como tive medo. Era horrível, fazia-me caretas quando me apareceu a Virgem do outro lado da cama".

"Maria traz na cabeça um lenço muito branco"

Diz a Satanás:

Que fazes aqui? Não vês que Estela está revestida da minha libré (escapulário).

E tu, Estela, não tenhas medo, sabes bem que és minha filha!

 

A doença de Estela

Os pais de Estela vêm instalar-se em Pellevoisin em 1866. Ficam mais perto da filha que acompanha sempre a família de La Rochefoucauld a Poiriers-Montbel, durante a estação quente. Ficará mais barato viver em Pellevoisin do que em Paris. Quando a doença de Estela se agrava no Outono de 1875, a condessa atrasa o sua ida para a cidade.

Em Fevereiro de 1876, assuntos importantes esperam-na em Paris. Não pode demorar mais. Arranja uma casa perto da igreja e do cemitério de Pellevoisin onde instala confortavelmente Estela. Os pais Faguette, que moram em Pellevoisin desde há dez anos, vêm morar com a filha; poderão assim prestar-lhe mais facilmente os cuidados de que necessita. O seu estado físico é de tal forma desesperado, que o conde e a condessa compram, antes de partirem para Paris, um lugar no cemitério de Pellevoisim, para a sepultura da sua "criada" tão apreciada.

Em 14 de Fevereiro, o Dr. Hubert confirma as aparências: "Não tem mais que 4 a 5 horas de vida". Estela tem pelo menos a consolação de ver os pais instalados na mesma casa que ela, nos seus últimos momentos.

Estela Faguette não goza pois de boa saúde. Esta fraqueza física não é estranha à sua saída da comunidade com a idade de 20 anos. Os bons cuidados prestados pela condessa de La Rochefoucauld e a força de vontade de Estela triunfam temporariamente: durante onze anos, a sua dedicação é sem falha. Mas eis que em 29 de Agosto de 1875, o Dr. Bucquoy confirma que está gravemente atingida: sofre de "tuberculose pulmonar, de peritonite aguda e dum tumor abdominal." As lesões do pulmão progrediram de tal forma que se tornou contagiosa. O seu estado é tão grave que não pode mais trabalhar.

Estela tem 32 anos e não tenciona capitular tão facilmente. Decide recorrer aos meios extremos. Escreve directamente à Virgem. Entrega a carta à menina Reiter que vai colocá-la no parque do castelo, entre as pedras da gruta dedicada a Nossa Senhora de Lourdes. A resposta à carta chegará a Pellevoisin na noite de 14 par 15 de Fevereiro de 1876. Foram precisos cerca de seis meses para que a Virgem respondesse à carta de Estela, datada de Setembro de 1875.

Texto integral da carta de Estela Faguette dirigida à Virgem Maria em Setembro de 1875:

"Ó minha boa Mãe, eis-me de novo prostrada a vossos pés. Não podeis recusar ouvir-me. Não esquecestes que sou vossa filha, que vos amo. Concedei-me, pois, pelo vosso divino Filho, a saúde do corpo, para sua glória.

Olhai a dor de meus pais, sabeis bem que não me têm senão a mim como recurso. Não poderei acabar a obra que comecei? Se não puderdes, por causa dos meus pecados, obter-me a cura completa, podereis ao menos obter-me um pouco de força para poder ganhar a vida e a de meus pais. Bem vedes, minha boa Mãe, eles estão em vésperas de ter de mendigar o pão, não posso pensar nisso sem ficar profundamente aflita.

Recordai-vos dos sofrimentos que suportastes, na noite do nascimento do Salvador, quando fostes obrigada a ir de porta em porta pedindo asilo! Recordai-vos também do que sofrestes quando Jesus foi colocado na Cruz! Tenho confiança em vós, minha boa Mãe, se quiseres, o vosso Filho pode curar-me. Ele sabe que desejei vivamente ser do número das suas esposas e que foi para lhe ser agradável que sacrifiquei a minha existência pela minha família que tanto precisa de mim.

Dignai-vos escutar as minhas súplicas, minha boa Mãe, e transmiti-las ao vosso divino Filho. Que Ele me devolva a saúde se for do seu agrado, mas que seja feita a sua vontade e não a minha. Que pelo menos me conceda a resignação total aos seus desígnios e que isso sirva à minha salvação e à de meus pais. Possuís o meu coração, Virgem Santa, guardai-o sempre e que ele seja o penhor do meu amor e do meu reconhecimento pela vossa maternal bondade. Prometo-vos, minha boa Mãe, se me concederdes as graças que vos peço, de fazer tudo quanto de mim depender para vossa glória e do vosso divino Filho.

Tomai sob a vossa protecção a minha querida sobrinha e colocai-a ao abrigo dos maus exemplos. Fazei, ó Virgem Santa, que vos imite na vossa obediência e que um dia possua convosco, Jesus, na eternidade."

Estela Faguette

 

A sobrinha de Estela Faguette

No final desta carta, Estela coloca sob a protecção de Maria a sua pequena sobrinha.

Estela tinha duas irmãs, uma mais velha 3 anos, Genoveva, e outra mais nova que ela, Agostinha.

Genoveva Faguette Petitot morrre em 24 de Novembro de 1864 com 24 anos, deixando dois filhos: Eugénio morre a 20 de Fevereiro de 1865, com 13 meses.

A menina, Estela Petitot, tem 5 anos quando morre a mãe Genoveva Faguette Petitot.

É nesta altura que Estela Faguette toma a seu cargo a sobrinha que fica a morar com os pais. Estela com o seu salário sustenta o pai, a mãe e a sobrinha, "a pequena Estela", que habitam todos em Pellevoisin. No momento das aparições, Estela Petitot tem 17 anos e Estela Faguette pô-la como aprendiza em Paris, por 18 meses.

Depois desta aprendizagem, a pequena Estela volta a Pellevoisin, para casa dos pais Faguette e aí ficará até aos 22 anos.

Aos 22 anos, deixa a casa e não mais voltará. O lar Petitot, infeliz e desunido, foi para Estela Faguette causa de muita angústia e decepção. Ela que tanto tinha sofrido pela sua querida pequena sobrinha.

 

Segunda aparição

Maria anuncia três acontecimentos importantes.

O primeiro: durante cinco dias consecutivos, virei ver-te;

O segundo: sábado, morrerás ou ficarás curada;

O terceiro: se o meu Filho te conceder a vida, publicarás a minha glória.

Estela Faguette vai receber a visita de Maria quinze vezes no decorrer do ano de 1876.

As cinco primeiras aparições acontecem em cinco dias consecutivos, e segundo a própria Virgem:

Sofrerás ainda cinco dias, em honra das cinco chagas de meu Filho.

2ª aparição: 14 de Fevereiro de 1876

Maria aparece cinco vezes a meio da noite, em 14, 15, 16, 17, 18 de Fevereiro de 1876. A presença de Satanás que tinha sido importante no dia 14, torna-se cada vez mais discreta nos dias seguintes, de forma que no dia 18, está totalmente ausente. Inversamente, durante este tempo, a Virgem torna-se cada vez mais maternal: "Aproxima-se do meio da minha cama".

Estela: "Estou ainda muito perturbada com os pecados que cometi no passado e que aos meus olhos eram faltas ligeiras."

Virgem Maria:

As poucas boas acções e algumas orações fervorosas que me dirigiste tocaram o meu coração de mãe, estou cheia de misericórdia.

Estela fica estupefacta por ver que o pouco bem que fazemos, compensa a ingratidão das nossas faltas, por causa da bondade de Deus e da sua Mãe Misericordiosa.

Virgem Maria:

Recebi a tua carta. Vais ficar curada.

Terceira aparição

A partir de terça-feira, 15 de Fevereiro 1876, Estela sabe que será curada. Está tão pronta para morrer que fica decepcionada com a notícia.

Estela: "Mas, minha boa Mãe, se pudesse escolher, gostaria de morrer enquanto estou bem preparada."

Virgem Maria:

Ingrata! Se o meu Filho te devolve a saúde, é que tens necessidade. Se o meu Filho se deixou tocar, foi por causa da tua grande resignação e paciência. Não lhe percas o fruto por causa da tua escolha.

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