RAINHA

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quinta-feira, 22 de junho de 2017

IMITAÇÃO DE MARIA 5

DE COMO É NECESSÁRIO NOS ENTREGARMOS A DEUS DESDE CEDO-CAPÍTULO V-LIVRO IMITAÇÃO DE MARIA



CAPÍTULO V
LIVRO IMITAÇÃO DE MARIA
DE COMO É NECESSÁRIO NOS ENTREGARMOS
 A DEUS DESDE CEDO

"Escuta, minha filha, atentamente o que te vou dizer. Esquece teu povo e a casa de teu pai. E cobiçará o Rei a tua beleza porque Ele é o Senhor teu Deus, a quem adorarás" (Sl 44,1-12).
Cedo, com efeito, escutou Maria a voz divina que a chamava ao retiro, deixando desde o início da vida a casa paterna, a fim de se consagrar no Templo a Deus. Nada a deteve, nem em sua mocidade, nem a fraqueza do corpo, nem a afeição de seus pais.
Tudo o que retarda o sacrifício de um coração que só a Deus busca e que só a Ele ama, aflige esse coração, porque igualmente retarda a sua felicidade.

No recolhimento do Templo, dedicou. Maria a preencher, tanto quanto possível, as funções que lhe eram destinadas, conforme, sua idade e as suas forças. O tempo em que descansava daqueles deveres, ela o empregava na prece e na meditação.
Era assim que se dispunha para quantas graças especiais houvesse de receber, segundo os insondáveis desígnios de Deus.
Ó Filha do Soberano dos Céus, como são graciosos os vossos primeiros passos e que gloriosos!
Vosso exemplo será imitado.
"Após ela, serão ao Rei apresentadas Virgens" inúmeras, as quais "se consagrarão com alegria e com júbilo no Templo do Rei" dos reis (SI 44,16).
A oferenda que fizerem a Deus de sua mocidade, de seu coração, de sua liberdade, de si mesmas, inteiramente, valerá como perfeita glorificação à Majestade divina.
Esta, em troco da glorificação, as cobrirá de bênçãos por toda a vida. Como se enganam os que julgam incompatíveis entre si a mocidade e a virtude!
Maria e os santos experimentaram quão "vantajoso é trazer o homem desde a juventude o jugo do Senhor" (Tren 3,27).

Será digno da majestade de Deus nada se lhe dedicar senão os miseráveis restos de uma vida que inteiramente nos foi dada para a empregarmos no serviço dele?
Que sacrifício terá feito para Deus quem esperou, a fim de se colocar ao seu serviço, o momento em que estivesse sem forças e recursos para o mundo?
A este, que só se resolve a trazer o jugo do Senhor depois de se ter fatigado das coisas do mundo, faz temer que o não consiga senão à custa de muita impaciência. Dizem muitos que a Deus se entregarão em idade mais avançada. Estará, porém, certo de alcançar a idade que se espera? Ou, por outra, se à velhice se chega, estará certo de que a reforma da vida será tão fácil como se supõe?
A experiência tem demonstrado que em uma idade mais avançada, mais instruído se pode ser, mas nem sempre se é mais sábio.
"Senhor, Senhor (diziam as virgens insensatas na parábola do Evangelho), abre-nos a porta" (Mt 25,11). Muito tarde, porém, chegaram elas, e foi inutilmente que bateram à porta.
Feliz daquele que se prepara desde a primeira idade até o dia de aparecer diante do Juiz Soberano, a quem teremos de prestar contas de toda a vida! Quem a Deus não dá o princípio de sua vida, é certo que receie que Deus o puna, não lhe permitindo alcançar o que quer.
Ó meu Deus, quanto tempo passei sem vos amar! Se facilmente me consolo, enfim, terei por acaso o direito de dizer que começo a vos amar?
Que pena não estar agora nos dias de minha infância. Espírito e coração, pensamentos e afetos, tudo, então, o que é meu seria somente para vós. Rendo-vos graças pela grande misericórdia de me conservardes a vida no tempo em que nada fazia para Vós, senão que tudo contra vós, porque no erro e no pecado eu vivia!

Até o derradeiro suspiro, servirei ao Senhor, amparado pela vossa graça. E tanto mais fielmente eu o desejo, quanto mais tardiamente comecei a vos servir e vos amar.

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