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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O VALOR DA ORAÇÃO - SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO



O Autor da “Obra Imperfeita”, diz, referindo-se aos brutos, que o Senhor a um concedeu a rapidez, a outros deu unhas, a outros cobriu de penas, para que, desse modo pudessem conservar sua vida. O homem, porém, foi formado em tal estado que só Deus é toda sua força. Deste modo o homem é inteiramente incapaz de, por si, efetuar a sua salvação, visto que Deus quis que tudo o que tem ou pode ter, receba por meio de sua graça. 

  As primeiras graças  Mas este auxílio da graça, normalmente o Senhor concede só a quem ora, conforme a célebre sentença de Genadio: “Cremos não chegar ninguém a salvação sem que Deus o conceda. Ninguém, depois de convidado, obtém a salvação, sem que Deus o ajude. Só quem reza merece o auxílio de Deus”.  Se é certo que, sem o socorro da graça, nada podemos, e se esse socorro é concedido por Deus unicamente aos que rezam, segue-se que a oração nos é absolutamente necessária para a salvação. Verdade é que há certas graças primeiras que são a base e o começo de todas as outras graças e que são concedidas sem a nossa cooperação, como por exemplo a vocação à fé, à penitência. No dizer de Santo Agostinho, Deus as concede mesmo a quem não as pede. Entretanto, quanto às outras graças especialmente em relação à graça da perseverança, tem por certo o Santo Doutor que não são concedidas senão aos que pedem: “Deus dá algumas graças, como o começo da fé, mesmo aos que não pedem; outras, como a perseverança, reservou para os que pedem”. 

  É por isso que os teólogos como São Basílio, São João Crisóstomo, Clemente de Alexandria e outros, como o próprio Santo Agostinho, ensinam que a oração para os adultos é necessária, não somente por ser um mandamento de Deus, como também por ser um meio necessário para a salvação. Isto quer dizer que, segundo a ordem comum da Providência, é impossível que um cristão se salve sem pedir as graças necessárias para a sua salvação. O mesmo ensina Santo Tomás: “Depois do batismo, a oração contínua é necessária ao homem para poder entrar no céu. Embora sejam perdoados os pecados pelo batismo, sempre ainda ficam os estímulos ao pecado, que nos combate interiormente, o mundo e os demônios que nos combatem externamente”. A razão alegada pelo Doutor Angélico, e, que nos deve convencer da necessidade da oração, é a seguinte: “Para nos salvar, devemos combater e vencer”. “Aquele que combate nos jogos públicos não será coroado, se não combater legitimamente” (2Tm 2, 5). Sem o auxílio de Deus, não poderemos resistir a tantos e tais inimigos. Ora, este auxílio divino só se consegue pela oração. Logo, sem oração, não há salvação.

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