sexta-feira, 22 de março de 2019

MARIA SANTÍSSIMA FOI UMA MULHER QUALQUER COMO QUALQUER MOÇA DE HOJE, DIZ PAPA FRANCISCO

O Papa Francisco acaba de confundir, escandalizar e desorientar mais uma vez os fiéis, ao invés de cumprir sua responsabilidade como Vigário de Cristo na Terra, que é de ensinar, santificar e guiar. Desta vez, ele o fez com a afirmação chocante de que Maria Santíssima teria sido uma moça comum, uma “moça normal”, em nada diferente das de hoje. Em livro-entrevista, cujos excertos foram publicados pelo jornal italiano “Corriere della Sera”,1 afirma que Maria Santíssima era “uma moça normal, normal, uma moça de hoje […] normal, normal, educada normalmente, disposta a casar-se, a constituir família. […] Depois, após a concepção de Jesus, ainda uma mulher normal. […] Sem nada de extraordinário na vida, uma mãe normal: mesmo no seu casamento virginal, casto no quadro da virgindade, Maria foi normal. Trabalhava, fazia as compras, ajudava o Filho, ajudava o marido: normal”.
O que vem a ser “uma moça de hoje”? Aquela que está em sintonia com o mundo paganizado e hedonista de nossos dias? A que segue as modas imorais e masculinizadas de hoje? Uma feminista que não tolera a menor diferença entre os sexos? A frase é extremamente ambígua, como é do seu estilo.
Ele explica o que entende por “normalidade”: “A normalidade consiste em viver no povo e como o povo”. Parece encontrar-se aí a chave para entender essa minimização da figura da Mãe de Deus, nitidamente impregnada do igualitarismo marxista presente na “Teologia da Libertação”.

Dizer que Nossa Senhora era “uma moça […] disposta a casar-se, a constituir uma família”, vai contra o sentir geral dos Santos e dos Doutores, os quais sustentam que, quando se deu a Anunciação, Maria já tinha feito voto de castidade perfeita. É o que deduzem da pergunta que Ela fez ao Anjo Gabriel, depois de informada de que seria a Mãe de Deus: “Como se fará isso, pois não conheço varão?”5
Explica o grande exegeta Cornélio a Lapide (+ 1637): “Porque não conheço varão […]. Nenhuma outra justa razão para esta desculpa e hesitação por parte da Virgem pode ser aduzida ou suposta aqui, senão a impossibilidade moral resultante do voto que a Santíssima Virgem fez antes da anunciação angélica: este é o ensinamento dos Santos Agostinho, Gregório de Nissa, Beda, Bernardo, Anselmo, Ruperto”.6 Santo Agostinho, no livro De virginitate, é inteiramente categórico: Maria não teria feito essa pergunta ao Anjo, “a não ser que se tivesse consagrado a Deus como virgem”.7 São Bernardo é igualmente claro em relação ao voto de virgindade feito por Maria: “Ele [Deus] concedeu-lhe a maternidade, tendo antes lhe inspirado o voto de virgindade, e a cumulado da virtude da humildade”.8
Negação implícita da Divindade de Jesus
Como se pode afirmar que Maria, Mãe de Jesus Cristo, era uma “ragazza normale, normale” (uma moça normal, normal), “una ragazza di oggi” (uma moça de hoje), una “donna normale” (uma senhora normal), e não tinha nada de extraordinário em sua vida? Como poderia “una ragazza normale”, “una ragazza di oggi”, que em nada se destacasse das demais, ter um filho como o próprio Verbo Encarnado? Não seria esta uma negação implícita de que seu Filho fosse Deus? Se Ela fosse inteiramente comum, seu Filho também o seria. Portanto, não se pode considerar a Santíssima Virgem como uma mulher comum, preocupada com coisas corriqueiras da vida.
Maria Santíssima é a obra-prima da Criação. Tendo sido escolhida por Deus para ser a Mãe do Redentor, foi preservada de toda mancha ou pecado, sendo Imaculada desde o seu primeiro instante, como diz Pio IX.9 Ela é a Theotokos (Mãe de Deus), como definiu o Concílio de Éfeso. Diz o Papa Pio XII que não pode haver ofício maior do que esse, pois ele “pede a plenitude da graça Divina”, portanto confere “a maior dignidade e santidade depois de Cristo”.10 
Os Padres da Igreja, os Santos Doutores, os Sumos Pontífices, sempre A consideraram um “vaso de eleição”. Abismados diante de tanta perfeição, santidade e dignidade, exclamavam “de Maria nunquam satis” — de Maria nunca diremos o suficiente, nunca saberemos o suficiente. Por mais que A contemplemos, por mais que estudemos seus privilégios, muito ainda restará por conhecer e por dizer.
Ao referir-se à Mãe de Deus como uma mulher comum, “normal”, o Papa Francisco rompe com essa tradição e contraria o sentido dos Evangelhos. Contradiz ainda a forma lapidar do Papa Pio XII, acima apresentada, que atribui a Maria Santíssima “a maior dignidade e santidade depois de Cristo”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário