sábado, 15 de agosto de 2020

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA AO CÉU

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA 15 DE AGOSTO

🌹Era necessário que esta digna sede de Deus, a fonte não escavada da água do perdão, a terra não arada que produz o pão celestial, a vinha não regada que produz frutos de imortalidade, a oliveira sempre verde e frutífera da misericórdia do Pai, não ficasse prisioneira nas entranhas da terra. Como o corpo santo e puro, unido hipostaticamente – por meio d’Ela – ao Verbo divino, ressuscitou ao terceiro dia do sepulcro, também esta deva ser salva da tumba e a Mãe entregue ao Filho; e do mesmo modo que este tinha descido para Ela, também Ela, a predileta, devia ser transportada até ao tabernáculo mais excelente e perfeito, no mesmo Céu (Hb 9, 11 e 24).

🌹Era preciso que Aquela que tinha hospedado no seu seio o Verbo divino fosse transportada à morada do seu Filho; e do mesmo modo que o Senhor tinha dito que devia encontrar-se na casa do Seu Pai, era preciso que também a Mãe vivesse no palácio do Filho na casa do Senhor e nos átrios da casa do nosso Deus (Sal 134, 1 e 135, 2).

🌹Era preciso que Aquela que no parto tinha conservado a virgindade, conservasse o corpo incorrupto também depois da morte.

🌹Era preciso que Aquela que tinha levado no seio, como um menino o Criador, habitasse na morada divina.

🌹Era preciso que a esposa que o Pai tinha escolhido, vivesse na câmara nupcial celeste.

🌹Era preciso que Aquela que tinha contemplado o seu Filho na Cruz, recebendo no coração a espada da dor — que não tinha conhecido no parto — O contemplasse agora sentada junto ao Pai.

🌹Era preciso que a Mãe de Deus chegasse a ser participante dos bens do Filho e que toda a criação a celebrasse como Mãe e serva de Deus. Sempre, com efeito, a herança passa de pais para filhos. Neste caso, pelo contrário, como diz um sábio, as águas dos rios sagrados correm para trás. O Filho submeteu toda a criação a sua Mãe.

👉São João Damasceno (séculos VII-VIII). Homilia II sobre a Dormição da Virgem

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

🙏Eis que Maria já deixa a terra. Vêm-lhe à memória as muitas graças que aí recebera de seu Senhor. Olha-a por isso com afeto e juntamente com compaixão, recordando-se dos pobres que deixa expostos a tantas misérias e a perigos tantos. Jesus lhe estende a mão, e a santa Mãe já se eleva no ar, já passa as nuvens e as esferas. E chega enfim às portas do céu. Quando entra um monarca para tomar posse de um reino, não passa pelas portas da cidade, como as demais pessoas. Tiram-se então completamente as portas e ele entra triunfante.

 Por isso à entrada de Cristo no céu cantaram os anjos: Suspendei as vossas portas, ó príncipes; levantai-vos, portas eternas; o rei da glória entrará (Sl 23,7). Repetem eles a exclamação, agora que Maria vai tomar posse do reino dos céus. Os anjos da comitiva gritam aos outros, que estão dentro: Príncipes do céu, depressa, levantai, tirai as portas, porque deve entrar a Rainha da glória!
Já entra na celeste pátria. Mas, à sua entrada, veem-na aqueles espíritos celestes tão bela e tão gloriosa, que perguntam aos anjos que chegaram de fora, como contempla Orígenes:

🔥 Quem é esta que sobe do deserto inundando delícias e firmada sobre o seu amado? (Ct 8,5). E quem é esta criatura tão formosa que vem do deserto da terra, lugar de espinhos e abrolhos? Vem tão pura e rica de virtudes, com o seu amado Senhor, que se digna ele mesmo acompanhá-la com tanta honra? Quem é?

 🙏Respondem os anjos que a acompanham: Esta é a Mãe do nosso Rei; é a bendita entre as mulheres, a cheia de graça, a Santa dos santos, a amada de Deus, a Imaculada, a mais formosa de todas as criaturas.

 E rompem imediatamente todos aqueles espíritos celestes em hinos de louvor e de júbilo, bendizendo-a com mais razão que os hebreus a Judite: ‘Tu és a glória de Jerusalém, a alegria de nosso povo’ (Jt 15,10). Ah! Senhora, vós sois a glória do paraíso, a alegria de nossa pátria, a honra de todos nós! Eis o vosso reino, eis-nos todos aqui, vossos vassalos, prontos a obedecer-vos!

Santo Afonso Maria de Ligório (século XVIII). As glórias de Maria, parte II, discurso 8,p 1.

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