domingo, 23 de agosto de 2020

VIDA DE SANTA ROSA DE LIMA


HISTÓRICO: Santa Rosa de Lima foi uma mística da Ordem Terceira Dominicana canonizada pelo Papa Clemente X em 1671. (Lima, 30/04/1586 – id., 24/08/16 17h).

É a primeira santa da América e padroeira do Peru e da América. Nascida em Quives, província de Lima no ano de 1586, era descendente de conquistadores espanhóis.

Seu nome de batismo era Isabel Flores y Oliva, mas a extraordinária beleza da criança motivou a mudança do nome de Isabel para Rosa, ao que ela acrescentou o de Santa Maria, a pedido da Virgem Santíssima.
 
Seus pais eram Gaspar de Flores, espanhol arcabuz do Vice-Rei e Maria Oliva, limenha. Era a terceira dos onze filhos do casal.

Desde pequena era inclinada à oração silenciosa e reflexiva na presença da Santa Eucaristia. Um dia, em adoração, escutou a voz do Senhor que lhe dizia “Rosa dedique a mim todo seu amor”.

Tempos depois deste contato místico com Cristo, sua família perdeu muito dinheiro e caiu na pobreza, seus pais antes ricos, tornaram-se pobres devido ao insucesso numa empresa de mineração e ela cresceu na pobreza, trabalhando na terra e na costura até altas horas da noite, para ajudar no sustento da família.

A pobreza não era motivo para que Rosa deixasse de agir com caridade, pegando alimentos da despensa de sua casa para saciar a fome dos pobres pequeninos que a procuravam.

Para ajudar sua família, ela vendia no mercado, flores que cultivava em sua casa, o que lhe dava destaque entre as moças mais virtuosas e prendadas da cidade, qualidades contadas além de sua beleza.  Ela é considerada “Patrona das Floristas”. Diz-se também que tangia graciosamente a viola e a harpa e que tinha voz doce e melodiosa.

Era cobiçada pelos jovens mais ricos e distintos de Lima e arredores, os quais eram vistos por seus pais muitas vezes como salvação de sua situação de pobreza, mas a todos ela rejeitou por amar a Cristo como esposo, afirmando ser o único amor de sua vida. Certa vez chegou até a cortar os seus belos cabelos e começou a usar um véu para evitar seus pretensos noivos.

Em idade de casar, para espanto daquela sociedade e ainda de nossa sociedade atual, fez o voto de castidade e, após lutar contra o desejo contrário dos pais, tomou o hábito da Ordem Terceira de São Domingos dedicando-se a viver como religiosa em sua casa.

Construiu no quintal de seus pais, uma estreita cela onde dormia e rezava, passando horas em adoração silenciosa, penitenciando seu corpo com jejuns e cilícios dolorosos – conta-se que utilizava muitas vezes um aro de prata guarnecido com fincos, semelhante a uma coroa de espinhos.

Foi extremamente bondosa e caridosa para com todos, especialmente para com os índios e negros, aos quais prestava os serviços mais humildes em caso de doença.

Rosa, para incentivar a si mesma a continuar doando-se, mesmo achando-se incapaz, costumava dizer esta frase:

“Se não posso fazer as grandes coisas, então farei as pequenas bem feitas”.

Outra frase que soava como um farol para ela era:
“Não há outra escada para o céu, senão a cruz de Cristo”.

Ou ainda, uma das mais belas:

“Se os homens soubessem o que é viver em graça, não se assustariam com nenhum sofrimento e padeceriam de bom grado qualquer pena, porque a graça é fruto da paciência”.

Através de jejuns intensos, dentre outras práticas penitenciais, aproximava-se mais daquele que era não só o sentido de seu amor, mas de sua vida como um todo. Dizia: 

“Senhor, fazei-me sofrer, contanto que aumenteis meu amor para convosco”.

Segundo os relatos de seus biógrafos e dos amigos que a acompanharam, dentre eles seu confessor Frei Juan de Lorenzana, Santa Rosa, por sua piedade e devoção, ainda em vida recebeu de Deus o dom dos milagres.

Foram-lhe atribuídos muitos favores: milagres de curas, conversões, propiciação das chuvas e até mesmo o impedimento da invasão de Lima pelos piratas holandeses em 1615.

Era constantemente visitada pela Virgem Maria e pelo Menino Jesus, que quis repousar certa vez entre seus braços e a coroou com uma grinalda de rosas, que se tornou seu símbolo. Também é afirmado que tinha constantemente junto a si, seu Anjo da Guarda, com quem conversava.

Rosa passou sua juventude agraciada com experiências místicas maravilhosas, mas nunca lhe faltando a cruz, a fim de que compartilhasse dos sofrimentos do Divino Mestre – sofrimentos provindos de duras incompreensões e perseguições e nos últimos anos de vida, de sofrimentos físicos, agudas dores devidas à prolongada doença – afinal, toda rosa é composta da beleza das pétalas e das dores dos espinhos.

Rosa viveu intensamente o sofrimento, sempre o destinando ao amor a Deus acima de tudo, sofrimento este que lhe acompanhou até a morte em 24 de agosto de 1617, aos 31 anos de idade. Fé e amor a Deus não lhe faltaram mesmo nas dificuldades, pois sabia o que vinha depois: O grande encontro com seu Amado.

Suas últimas palavras foram “Jesus está comigo!“.

Que Santa Rosa inspire em nós este amor completamente dirigido a Deus, percebendo que Deus é a única coisa que pode nos satisfazer e nunca acabará. Busquemos a Ele com todas as forças pedindo a graça divina para nos desapegarmos dos vícios e das paixões e alcançarmos a vida virtuosa, porto seguro para suportar todo sofrimento. Assim, caminhamos certos de que, depois de tudo, O amado estará de braços abertos a nos esperar com a coroa incorruptível.

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