terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

VIDA DE SANTA CAMILA


corpo incorrupto de Santa Camila





 Camila era filha primogênita do príncipe Júlio de Varano, fruto de uma aventura amorosa com uma nobre dama da corte. Nasceu em 09 de abril de 1458. Cresceu bela, inteligente, caridosa e piedosa. Tinha uma personalidade sedutora e divertida, apreciava dançar e cantar.

Ainda criança, depois de ouvir uma pregação sobre a Paixão de Jesus Cristo fez um voto particular: derramar pelo menos uma lágrima todas as Sextas-feiras, recordando todos os sofrimentos do Senhor. Porém, tinha dificuldade para conciliar o voto à vida divertida que levava, quando não conseguia vertê-la sentia-se mal toda a semana.

Aos dezoito anos sentiu o chamado para a vida religiosa, mas seu pai não permitiu. Camila ficou sete meses doente por causa disso. Seu pai fez de tudo, mas ela não desistiu. Após dois anos, acabou consentindo. Assim, aos vinte e três anos, em 1481, ingressou no mosteiro das Clarissas, e tomou o nome de Irmã Batista.

Os anos que se sucederam foram de grandes experiências místicas para Camila Batista, sempre centradas na Paixão e Morte de Jesus Cristo. Escreveu o famoso livro "As dores mentais de Jesus na sua Paixão", que se tornou um guia de meditação para grandes Santos.

Morreu com fama de santidade, em 31 de maio de 1524.


Camila Varani nasceu de nobre família, em 9 de abril de 1458. Era filha ilegítima de Júlio Cesar de Varani, Senhor de Camerino. Foi criada na corte sob os cuidados de Joana Malatesta, esposa do grande senhor. Recebeu do pai um espírito vivo e apaixonado, o amor do mundo e da eloquência, e dons para a filosofia e teologia.
Muitos fatos de sua vida ela mesma os descreveu em uma longa carta autobiográfica endereçada a Domenico da Leonessa, que a havia iniciado no caminho da vida interior ao pregar a Paixão de Jesus em Camerino, na Sexta-feira Santa de 1466 ou 1468. A graça então trabalhou na sua alma e ela contou o efeito produzido no seu íntimo por aquele sermão ouvido aos oito anos. Fez nessa altura a promessa de cada sexta-feira derramar uma lágrima de amor à Paixão.
Na adolescência sentiu-se inclinada para um cavaleiro que lhe recitava versos de amor. Mas um terrificante sermão da Quaresma foi a ocasião de ela voltar a Deus para sempre: tinha 20 anos, e passaram-se ainda mais dois antes de a Providência lhe indicar que deixasse o mundo. Uma visão de Nosso Senhor e uma grave doença foram os sinais deste chamamento; soube vencer a ambição que o pai colocava nela e soube, sobretudo, triunfar do afeto que a si era dedicado.
Em 14 de novembro de 1481 pode entrar no mosteiro das Irmãs Pobres de Santa Clara de Urbino, assumindo o nome de Irmã Batista. Em 1483 emitiu a profissão em Urbino; mas, no ano seguinte, fundando seu pai um mosteiro em Camerino, a Irmã Batista, acompanhada de oito religiosas, foi designada para fazer parte da nova comunidade.

Pouco tempo depois, recebeu visões múltiplas de anjosde Nossa Senhora e da Cruz. Mas foi, sobretudo, às dores espirituais de Nosso Senhor que a Irmã Batista esteve intimamente associadadignando-se Cristo revelar-lhe tudo o que O tinha atormentado na sua agonia. Foi em 1490 que lhe deu ordem o confessor para escrever a história da sua vida interior, talvez para infundir luz no meio duma longa prova, enquanto por quatro anos o desespero a assaltava cada dia.
Cultivou um grande amor a mais alta pobreza pessoal e comunitária. Sempre aberta às necessidades dos outros, foi enviada por Júlio II a Fermo para fundar ali um mosteiro de Clarissas. Por ter permanecido dez meses na cidade de Sanseverino (1521-1522), acredita-se que ela ali esteve para plasmar a nova comunidade de Clarissas.
Era um tempo em que a Santa Igreja passava por um relaxamento de costumes que daria pretexto a Martinho Lutero para se separar dela em 1517. Irmã Batista, segundo testemunho de uma Irmã, “ardia de tal forma de desejo de renovamento da Igreja, que não podia dormir nem comer e às vezes por causa disto adoecia gravemente”.
Os tumultos, endêmicos na Itália dessa época, não pouparam Camerino. Cesar Borja lançou seu exército contra Camerino e o pai de Irmã Batista colocou sob a tutela da filha Clarissa o filho mais novo, João Maria, com a mãe e o tesouro de estado para salvar a dinastia. A Santa, com uma Irmã de hábito, procurou refúgio em Atri, onde foi recebida por Isabel Piccolomini, esposa do Duque Mateus Acquaviva.
Entretanto, o pai e três irmãos da Santa foram assassinados em 1503. A Clarissa podia acaso esquecer que era princesa e não sentir até ao íntimo o pesar que a afligia? César Borja, o responsável pelo desastre, perdeu, com Alexandre VI, aquele que o sustentava. Os Colonnas ajudaram João Maria a reconquistar a sua cidade. Mas já então a abadessa (desde 1499 Batista ocupava este cargo) tinha perdoado aos inimigos.
Por volta de 1521, atendendo ao pedido de um religioso, escreveu a obra A pureza do coração, sublime itinerário de perfeição em que comunica sua extraordinária experiência de vida.
Ela contribuiu para o desenvolvimento e mesmo para a instituição dos Capuchinhos: o Beato Mateus de Bascio, antes de ser frade menor da Observância, tinha sido protegido pelos Varani. E ela interveio bastante eficazmente para obter de Clemente VII a bula de 1524 que autorizava o novo ramo da Ordem franciscana.



Em 1527 uma terrível peste assolou a Itália; vítima dela morreu a abadessa aos 69 anos. Os milagres levaram ao culto público. Em 1843 Gregório XVI reconheceu esse culto ininterrupto dedicado a ela; em 1891, Leão XIII aprovou os atos do processo em vista da canonização e em 1893 aprovou os seus escritos. Bento XVI a canonizou em 17 de outubro de 2010.

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