terça-feira, 27 de abril de 2021

VIDA DE SÃO PEDRO ARMENGOL


 

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NOSSA SENHORA FICOU ME SUSTENTANDO O TEMPO INTEIRO...

27 de abril
São Pedro Armengol
São Pedro Armengol nasceu em meados do século XIII, na Catalunha, sendo então o mais novo rebento da ilustre família dos Condes de Urgel. Seus pais eram minto chegados ao rei de Aragão, o soberano daquela região ibérica, frequentando com liberdade a corte.
Nessa atmosfera de alta nobreza, o menino Pedro recebeu esmerada educação. Mas, à medida que foi crescendo, ao invés de permanecer nos bons ambientes e de se deixar influenciar pelos ditames e pela moral da Igreja Católica, foi decaindo nos costumes e na piedade. Passou a conviver com más companhias e se desviou das sendas do bem.
Em vão, os pais fizeram todo o possível para retê-lo. Pedro se desclassificou a tal ponto que abandonou a casa paterna, embrenhou-se no meio da última ralé de bandidos, de sem-vergonhas, e ali se perdeu completamente. Com o tempo, chegou a se tornar chefe de uma quadrilha de salteadores de estrada. Ladrão perigoso, assassino e fugitivo, se a polícia real o apanhasse, certamente seria morto.
Aconteceu, porém, que, estando ele um dia a vagar pelo mato com seus companheiros de perdição, ouviu ao longe um toque de clarim, típico de gente da corte. Imaginando os preciosos despojos que aquele séquito lhe proporcionaria, Pedro resolve atacá-lo com sua quadrilha.
Mal os dois grupos se encontram, Pedro sai em busca do chefe do destacamento e está prestes a lhe desferir um golpe quando percebe tratar-se de seu próprio pai.
Como que tocado por fulminante raio, o bandido permanece imóvel, detendo no ar seu braço armado. Ele, e não o pai. Recebera o golpe fatal: um golpe da graça divina. Por certo, naquele instante alguém, em algum lugar, devia estar rezando por ele a Nossa Senhora.
A vista da nobreza e da respeitabilidade de seu pai deu a ele a ideia de como tinha caído, de como se tornara a escória da sociedade e, por isso mesmo, indigno do ambiente no qual vivia sua família. “Que diferença, pensou ele. Meu pai e minha mãe numa situação honrosa, e eu, entre bandidos! De pessoa limpa e decente, transformei-me num canalha”.
Essas reflexões de índole humana, sugeridas pela graça, foram acompanhadas de outra: “Pequei contra Deus! Isto é o mais grave, infinitamente mais grave, em tudo o que fiz. Ó Senhor, como é grande a minha maldade!”
Confuso e envergonhado, Pedro teve verdadeira contrição dos pecados cometidos. Como o filho pródigo do Evangelho, lançou-se aos pés do pai e pediu perdão. Acabou sendo agraciado pelo Rei, deixando para sempre a roda de malfeitores no meio dos quais vivera. Depois, com toda a humildade, procurou um religioso Mercedário, a quem confessou os crimes que perpetrara e expôs os remorsos que lhe torturavam a alma.
Uma vez absolvido de seus pecados, Pedro solicitou, por misericórdia, que o admitissem como mercedário. Os frades resolveram aceitá-lo, reconhecendo seu profundo e sincero arrependimento.
Convertido, ingressou na Ordem dos Mercedários e se tornou excelente religioso. Passaram-se alguns anos e, certo dia, aconteceu o que tinha de acontecer. O Superior mandou chamá-lo e lhe disse: “Frei Pedro, o senhor está designado para ir libertar os cativos na África”. “Pois não”, respondeu ele sem hesitar, certamente pensando no seu íntimo: “Eu mereço isso pelos meus pecados”.
Atendendo à voz da obediência. Frei Pedro passou um número de anos no norte da África. Numa arriscada existência.
Quando já se preparava para voltar à Espanha, soube que 137 jovenzinhos cristãos, escravizados, jaziam nas casas de seus senhores expostos à depravação e ao risco de perderem a fé.
Com religioso desvelo, Frei Pedro procurou os mouros e negociou a libertação daqueles cativos. Os infleis exigiram muito dinheiro. Soma tão avultada só poderia vir da Espanha, o que prolongaria ainda mais o tempo da perigosa escravidão dos jovens católicos.
Sem hesitação, Frei Pedro ofereceu-se como refém no lugar deles, até que lhe fosse enviada da Espanha a quantia necessária para o resgate. Os mouros concordaram, impondo, entretanto, a seguinte condição: “Damos a eles um prazo para irem à Espanha, recolherem o dinheiro e no-lo enviarem. Durante esse tempo você fica aqui à nossa disposição. Se o dinheiro não chegar até o dia X, nós o enforcamos.”
Pendurado na forca, sem perder a confiança em Nossa Senhora
Nos seus insondáveis desígnios, queria a Providência colocar à prova o ex-salteador de estradas. Esgotara-se o prazo estipulado pelos maometanos. Furiosos, cumpriram a ameaça: enforcaram Frei Armengol e, acreditando-o já morto, abandonaram-no pendente da corda.
Pouco tempo depois chega o navio com o dinheiro do resgate. Problemas de navegação haviam determinado o atraso.
“Onde está o Frei Armengol” perguntaram os emissários. A resposta do chefe mouro foi aterradora: “Chegaram tarde. Ele está no cadafalso, enforcado há três dias, conforme prometi”. Indignados com a crueldade do infiel, os frades quiseram ver o corpo de seu irmão de habito.
Ao chegarem junto ao patíbulo, grande surpresa: Frei Pedro, ainda na forca, estava vivo, embora pálido como um cadáver. Ele conservaria no rosto, por toda a vida, essa palidez cadavérica: e no pescoço, bem visível, a marca da corda. Era um milagre extraordinário.
Por humildade, Pedro Armengol nada disse a respeito desse milagre. De volta à Espanha, porém, o Superior lhe ordenou em nome da santa obediência: “Frei Pedro, conte o que se passou”. Com a mesma humildade, ele simplesmente respondeu: “Nossa Senhora ficou me sustentando o tempo inteiro”. Quer dizer, ele confiara na Santíssima Virgem, e ela realizou esse estupendo milagre em favor de seu heroico devoto.
Com autorização dos superiores, Pedro Armengol se retirou para um convento nas montanhas, onde viveu solitário, fazendo penitência por sua vida passada e rezando pelos católicos cativos nas mãos dos mouros. Ali cresceu ele em graça e santidade, até o dia em que “adormeceu no Senhor”. Anos depois, a Santa Sé o canonizou.



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